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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Smart Sea >> Benchmark Internacional " 66º Genoa Boat Show"

 A Tradição náutica que inspira o futuro: 66º Salão Náutico Internacional de Gênova serve de referência para o potencial de Santa Catarina

A Itália, berço mundial do design e da alta manufatura náutica, volta a ser o epicentro da indústria global com a realização do 66º Salão Náutico Internacional de Gênova, organizado pela Confindustria Náutica entre os dias 1 e 6 de outubro. Pela terceira vez, a Revista Mar Catarina realiza uma cobertura in loco direto da Europa, trazendo os detalhes de um evento que se consolida não apenas como a maior vitrine náutica europeia, mas como um modelo ideal de benchmark para o desenvolvimento das orlas, rios e lagos catarinenses.

            Imagem: Confinautica, assessoria de comunição - setembro 2026


Sob o lema de integrar inovação, cultura marítima, negócios e transição ecológica, a 66ª edição de Gênova reforça a essência do setor: um evento feito pela própria indústria para impulsionar a economia, gerar empregos qualificados e promover o uso sustentável do mar.

Os Números de um Gigante Náutico

A edição deste ano reflete a maturidade do mercado internacional e o avanço contínuo do setor em tecnologia e dimensões:

  • Mais de 1.000 embarcações em exposição e 215 lançamentos mundiais.

  • 45 países representados, vindos de 5 continentes.

  • Aumento de 4% no layout aquático em relação ao ano anterior.

  • Crescimento no segmento High-End: o tamanho médio das maiores embarcações cresceu 14,1%, com destaque para superiates entre 35 e 50 metros na área inédita Living Made in Italy.

  • Expansão dos multihull (catamarãs): aumento de 28% na quantidade de unidades expostas.

Inovação, Juventude e Cultura Marítima: A "Blue Arena"

Uma das grandes novidades que servem de inspiração para Santa Catarina é a criação da Blue Arena, um espaço com entrada gratuita instalado no novo Pavilhão Palasport. O objetivo é aproximar a comunidade e as novas gerações do universo da navegação por meio de cinco eixos temáticos:

  1. Start Boating: incentivo ao aprendizado prático em motores até 25 hp e habilitações para jovens a partir dos 16 anos.

  2. Start-ups & Inovação: vitrine de novas tecnologias e soluções sustentáveis.

  3. Formação e Profissões Marítimas: foco no desenvolvimento de carreiras para a cadeia produtiva.

  4. Vela e Esportes Náuticos: inclusão desde barcos monotipos até as últimas tecnologias em foiling (embarcações com hidrofólios).

  5. Instituições e Segurança: presença e simulações com a Marinha e a Guarda Costeira.

Além disso, a criação da iniciativa Fuori Salone estende o evento por toda a cidade de Gênova, conectando gastronomia, comércio, literatura e espetáculos culturais ao setor náutico, engajando não apenas compradores, mas toda a população local.

Conexão B2B e Liderança Global

A dimensão internacional do evento foi reforçada pelo programa da Italian Trade Agency (ITA), que expandiu para 180 o número de compradores e distribuidores internacionais vindos de 35 países.

O Salão também sedia os TechTrade Days, evento focado no mercado B2B que reúne mais de 400 marcas especializadas em acessórios, componentes e prestação de serviços de manutenção e refit, além de fóruns de debate no FÓRUM 26 abrangendo Inteligência Artificial, cibersegurança, tributação e economia azul. Paralelamente, o Design Innovation Award premia a excelência e a sustentabilidade no design náutico.

O Benchmark para o "Made in Mar Catarina"

A presença do evento em Gênova demonstra que a náutica ultrapassa a venda de embarcações: trata-se de um motor econômico completo. Como destacaram as autoridades presentes, o evento atrai investimentos, movimenta a rede hoteleira e gastronômica, gera empregos diretos de alta qualificação e valoriza a preservação ambiental como ativo de desenvolvimento.

Para Santa Catarina, que possui polos fabris e náuticos de excelência — a exemplo do que ocorre em regiões italianas como o Blue Mile de La Spezia —, o modelo de Gênova indica o caminho. O estado catarinense possui todas as condições para acelerar seu "Made in Mar Catarina", transformando suas orlas fluviais, lacustres e marítimas em ambientes dinâmicos de turismo sustentável, lazer e inovação industrial.

Acompanhe as redes e edições da Revista Mar Catarina para conferir todos os detalhes, entrevistas e destaques direto de Gênova!


Fonte: Confiundustria Nautica Italiana, September 2026. 


sexta-feira, 24 de julho de 2026

Smart Sea >> O olhar "estranho" Baia Tijucas e o Mar Catarina

 

Imagem: Disponível no www.instagram.com/praiadetijucas/


Em Busca da Vocação Marítima: 

O Potencial do Litoral Catarinense e os Desafios do Setor

A região que compreende os municípios de Governador Celso Ramos, Bombinhas e Tijucas carrega uma vocação náutica autêntica e altamente promissora. Essa percepção — moldada desde a infância, quando as paisagens recortadas por canais artificiais já remete a referências internacionais como a região de Empuriabrava, na Espanha — evidencia o potencial de Santa Catarina para o desenvolvimento de marinas estruturadas no modelo inshore (escavadas em áreas de baixada).

A experiência prática no setor demonstra que o mercado náutico é um poderoso motor econômico. Cidades como Paraty, no Rio de Janeiro, que hoje concentra o maior número de vagas molhadas do país, provam que a atividade gera empregos e atua como um sentinela ambiental, inibindo práticas predatórias. Santa Catarina possui esse ecossistema de forma natural, mas esbarra em um obstáculo crônico: a morosidade e a falta de clareza regulatória.



O Gargalo Burocrático e o Contraste Internacional

O desenvolvimento de projetos de infraestrutura náutica no estado enfrenta grande insegurança jurídica e lentidão nos processos de licenciamento, cenário que destoa sensivelmente de mercados maduros:

  • Marinas nos Estados Unidos: O processo para abertura de uma marina molhada consome cerca de três a quatro semanas, exigindo o cumprimento de apenas três procedimentos burocráticos focados nos impactos ambiental, econômico e social.

  • Cenário Nacional: No Brasil, os órgãos ambientais e as instâncias públicas carecem de diretrizes claras sobre o que é permitido, gerando um ambiente de incertezas que afasta grandes investidores internacionais.

Florianópolis e a Cultura das "Costas para o Mar"

Apesar de projetos recentes avançarem em municípios como Itapema, Porto Belo e Balneário Camboriú, o estado ainda "arranha a superfície" de seu real potencial. O principal exemplo desse distanciamento cultural e urbanístico em relação ao mar está na própria capital.

"Florianópolis é uma cidade cercada de mar por todos os lados que, literalmente, despreza esse mar e as atividades náuticas." Amyr Klink

O aterro da Baía Sul reflete essa contradição: o Centro de Eventos e sua arquibancada foram construídos de costas para a água. Urbanisticamente, teria sido mais funcional e inteligente prever o estaqueamento e a contenção da área para desenhar uma marina interior antes de executar o aterro. Hoje, a capital vive uma obsessão pelo transporte rodoviário, negligenciando as vias navegáveis.

O Obstáculo da Ponte Hercílio Luz e a Maricultura

As limitações físicas também restringem a integração náutica da cidade. A conexão entre as baías Norte e Sul é inviabilizada para embarcações de maior porte. Um veleiro de 45 pés (cerca de 14,5 metros), por exemplo, não consegue navegar de uma baía à outra devido ao vão da ponte histórica. Para acessar o sul da ilha, a embarcação é obrigada a dar a volta em mar aberto, em um trecho sem abrigos navegáveis.

Além das restrições de infraestrutura, as áreas abrigadas do litoral catarinense — que seriam ideais para o desenvolvimento náutico — hoje desempenham outra atividade consolidada: a maricultura. Impulsionada pelo trabalho da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a criação de ostras e mariscos ocupa esses espaços, tornando inviável a coexistência com instalações de marinas nesses locais específicos. O desafio do estado reside, portanto, em conciliar suas potencialidades e superar a burocracia para, finalmente, consolidar sua identidade marítima.





sexta-feira, 10 de julho de 2026

Amyr Klink - Navegar é necessário ...

 

Imagem: Acervo do navegador Amyr Klink disponível no Instagram Tem Alguém Me Assistindo (2026)  

Como o confinamento saudável a bordo inspira a mentalidade marítima? 

As viagens em família realizadas em embarcações que utilizam o vento como propulsão principal carregam um caráter profundamente educativo. Viver confinado em um ambiente inóspito exige adaptação: a bordo, as tripulações lidam com recursos finitos, onde a otimização do espaço impede o uso de eletrodomésticos supérfluos, como secadores de cabelo, ou o desperdício de água no banho. Diante de margens de erro mínimas, esse convívio estimula a capacidade de solucionar problemas de forma simples e de realizar mais com menos, fomentando uma sólida conexão com a natureza e o desenvolvimento da independência.

Essa filosofia reflete-se na gestão de frotas de barcos a vela, em que sobressai um respeito rigoroso no tratamento de efluentes, no controle do consumo e na aversão ao desperdício. Diferente de mares poluídos quimicamente — como ocorre em pontos do Mediterrâneo, onde as águas parecem translúcidas mas escondem contaminação —, a navegação consciente reforça o apego pela preservação ambiental e o combate à degradação dos rios e oceanos.

As Transformações nos Extremos do Planeta

A observação de ecossistemas como o da Antártica revela transformações climáticas perceptíveis. Embora os registros históricos humanos nessas regiões extremas sejam recentes frente aos ciclos milenares da Terra, indicadores associados à radiação ultravioleta e a eventos meteorológicos têm chamado a atenção de navegantes.

  • Radiação Ultravioleta: A exposição solar na Antártica, que antes permitia longos períodos de atividade sem intercorrências, hoje resulta em queimaduras graves em poucas horas.

  • Tempestades de Ventos Extremos: Relatos de navegação apontam para o aumento da frequência de ventos acima de 70 a 80 nós, com rajadas que atingem 100 nós, em regiões como o Canal de Beagle, a Terra do Fogo e a Patagônia.

Esses fenômenos servem como um alerta para a necessidade de reavaliar a relação humana com o clima global.

Infraestrutura e a 

Busca por uma Mentalidade Marítima no Brasil

O Brasil detém uma das maiores costas navegáveis do mundo, contudo, carece de uma mentalidade marítima consolidada. Em diversas regiões litorâneas, a preferência pelo transporte rodoviário em detrimento das vias aquáticas evidencia a subutilização desse potencial. Cidades catarinenses, amparadas por um histórico de convivência com o mar que remonta às antigas tradições baleeiras e caça marítima, reúnem condições para liderar uma transição cultural voltada ao desenvolvimento sustentável da economia azul.

A implementação do transporte público hidroviário em municípios contíguos a Florianópolis, como São José e Biguaçu, surge como uma alternativa viável e econômica ao modelo viário saturado. 

O incentivo à pequena cabotagem e a instalação de infraestruturas eficientes de atracação — inspiradas em modelos bem-sucedidos adotados na Europa, na Austrália e na Tasmânia — poderiam redefinir a mobilidade e o transporte de cargas no país.

Região / Contexto Histórico

Impacto na Mentalidade Marítima

Canal do Linguado (SC)

A ligação de São Francisco do Sul ao continente por meio de aterro interrompeu a dinâmica hídrica local.

Baixada Fluminense 

(RJ)

A substituição de sistemas multimodais eficientes (ferroviário e aquaviário) priorizou o transporte automotivo.

Baixada Santista (SP)

O isolamento de municípios de importância histórica e cultural ocorreu em função da expansão de rodovias como o Sistema Anchieta-Imigrantes.

Engenharia Naval e o Legado Científico do Paratii 2

Projetos voltados para barcos de exploração e trabalho demonstram como a tecnologia naval pode servir à ciência e ao turismo de expedição. 

Um exemplo dessa aplicação foi o desenvolvimento de embarcações de alumínio, concebidas em parceria com o engenheiro naval Thierry Stump. Projetado inicialmente para uso pessoal em um programa de explorações que se estendeu por duas décadas, o antigo Paratii 2 foi posteriormente adquirido pela fundação suíça Swiss Polar Foundation sob o nome de Forel.

Atualmente sediado na Bretanha, o navio permanece ativo como uma plataforma de pesquisa científica e educacional, demonstrando longevidade e inovação mesmo após 22 anos de operação. A transição desse tipo de projeto para o cinema — como no caso da produção sobre a jornada de 100 dias realizada pela Disney e sob a direção de Carlos Saldanha — contribui para aproximar o público da literatura náutica e das vivências em isolamento nos polos.

Para o futuro da gestão costeira, a recomendação central aos gestores públicos e urbanistas reside no estudo de casos internacionais de despoluição e revitalização de canais, a exemplo das iniciativas conduzidas em Londres, Seul e Paris, adaptando essas soluções às vocações naturais do litoral brasileiro.


terça-feira, 9 de junho de 2026

Tijucas aceleração econômica de território na prática.

 CRONOLÓGICO: Polo Náutico de Tijucas 

Fotos: @praiadetijucas 




2013 FEB - Visita Técnica 


2013 MAR - Como comunicar? Resposta estruturação do SMART SEA. 


2013 APR - Navegação com autoridades (construção da visão náutica) 


VISITA FOI ANUNCIADA NA IMPRENSA ESTADUAL

A visita foi anunciada no Jornal Diário Catarinense já havia publicado a visita a Tijucas nesta quarta-feira (17).

Em nota, foi anunciado a vinda do Grupo Náutico Tijucas demonstrando curiosidade em conhecer o município que acabava de ingressar no Grupo de Turismo Náutico de SC.


2014 NOV - Zona Náutica da Turismo e Serviços 

2015 NOV - Praça Náutica, a primeira de SC com acesso ao Rio Tijucas.

2016 SEP - Smart Sea, publicação chegou no Rio de Janeiro, Angra dos Reis. 

2016 NOV - Lei Municipal de PPP para Dragagem do Rio Santa Luzia. 

2017 NOV - Lançamento do TMC e Audiência Pública com os pescadores e autoridades. 

2018 ABR - 1º complexo de galpões com rampa (iniciativa privada, Plano Diretor) 

2019 MAY - Lançamento do curso de motores SENAI e empresa internacional. 

2020 MAR - 1º estaleiro , produzindo barcos com rampa de acesso ao Rio Tijucas 

2022 MAR - 1ª  Garagem náutica , em 2026 são 6 CNPJs de jetski e veleiros. 

2024 JAN - Estudos do Mega Molhes do Rio Tijucas 

2025 SEP - LAP dos molhes 

2026 JAN - 1º Reveillon na Praia, e 1ª temporada de Praia em Tijucas. 

2026 JUN - Obras e obras … rumo ao mercado internacional da Náutica e Turismo Náuticos .. 

Aguardem os próximos capítulos…









Fotos: 

@PraiadeTijucas no Instagram


Ferramentas para a inovação em Orla.

 













Benchmark internacional 







Visão de Futuro para as Orlas do Brasil 



Comunicação Constante 









segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

SMART SEA >> Estações Náuticas na França, exemplo a seguir.

 


Trago o discurso motivacional do Presidente da Confederação da Vela da França e também presidente do programa Estações Náuticas Da França, o velejador global Jean-Claude Meric, confira sua fala para os velejadores franceses em 2026: 



“ Prezados representantes eleitos,


A Estação Náutica da França (France Station Nautique)  continua seu desenvolvimento hoje com uma ambição compartilhada: fornecer apoio a longo prazo às áreas locais na estruturação e promoção de suas ofertas náuticas. A rede é construída sobre uma base sólida, impulsionada pelo compromisso contínuo de suas estações membros e pelo crescente reconhecimento das atividades náuticas como um motor do turismo, do apelo econômico e ambiental, independentemente do corpo d'água, dos mares aos oceanos, das lagoas aos lagos e rios. 


Uma marca reconhecida, a France Station Nautique é um selo de qualidade e um modelo para a organização de atividades náuticas integradas. É também um verdadeiro selo de progresso, uma ferramenta que facilita a cooperação local, o desenvolvimento de projetos e o marketing de atividades adaptadas às necessidades dos participantes. 


Representantes eleitos, coordenadores e escritórios de turismo são os principais arquitetos desta iniciativa, garantindo uma abordagem clara, inovadora e responsável à navegação, contribuindo, juntamente com as partes interessadas locais, para a imagem de um destino.


Representantes eleitos, coordenadores e escritórios de turismo são os principais arquitetos desta iniciativa, garantindo uma abordagem clara, inovadora e responsável à navegação, contribuindo, juntamente com as partes interessadas locais, para a imagem de um destino.



Com o apoio da Atout France e do roteiro náutico elaborado em conjunto pelo Ministério da Transição Ecológica, Biodiversidade, Florestas, Mar e Pescas e pela Confederação Francesa de Náutica e Barcos, a France Station Nautique pretende fortalecer sua visibilidade e acolher novos territórios, visando alcançar, a médio prazo, de 35 a 40 estações participantes. 


Esse impulso coletivo, com o apoio de federações esportivas e náuticas, permite que a rede afirme ainda mais seu papel como uma marca de alto valor agregado dentro da estratégia de turismo implementada pelas autoridades locais, oferecendo uma gama de produtos náuticos sustentáveis ​​e de alto desempenho. Graças ao envolvimento de todos, vamos avançar com confiança e determinação. 




Vamos continuar juntos a impulsionar a vela francesa e mostrar a riqueza turística de nossas regiões!


Jean-Claude MERIC

Presidente da France Station Nautique” 




Tradutor:

Consultor e Think Tank da Economia do Mar no Brasil, Álvaro Ornelas. 


Ref Bibliográfica: 

Relatório da Economia do Mar da França 2026. 


Imagens:

Website da ANTILLA-MARTINIQUE 

Website oficial da FRANCE STATION NAUTIQUE