quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Smart sea >>> Turismo Náutico internacional.

O Valor Estratégico da Vaga Molhada: Catalisador de Empregos, Renda e Desenvolvimento Náutico


Muito além de um simples ponto de atracação, as vagas molhadas em marinas urbanas e complexos náuticos movimentam uma vasta cadeia produtiva, impulsionam o turismo de alto padrão e geram até quatro vezes mais empregos que a infraestrutura seca.


Por A. Ornelas*


Parque Urbano Marina Beira-Mar, em Florianópolis (SC), terá 440 mil m² de área construída e 

capacidade para mais de 600 embarcações. (Foto: Prefeitura Municipal de Florianópolis/Divulgação)


A economia do mar vive uma transformação profunda em todo o mundo. O crescimento da frota de embarcações de recreio, associado ao interesse renovado pelo turismo náutico e estilo de vida à beira-mar, expôs um gargalo estrutural decisivo: a escassez de vagas molhadas. Diferente da vaga seca — essencial para guardar barcos menores com logística de rampa ou mola —, a vaga molhada atende embarcações de médio e grande porte, garantindo permanência diária, manutenção contínua e consumo qualificado no entorno.


A Relevância da Vaga Molhada para o Proprietário de Embarcação


Para o proprietário de um barco acima de 30 ou 40 pés, ter uma vaga molhada disponível e bem localizada não é apenas uma conveniência — é um pré-requisito funcional e patrimonial. Conforme as embarcações aumentam de porte, o transporte rodoviário diário e o recolhimento constante para garagens secas tornam-se inviáveis do ponto de vista técnico e econômico. 


As principais vantagens operacionais e patrimoniais da vaga molhada incluem: 


> Prontidão de Navegação: O barco está sempre na água, pronto para navegar sem a necessidade de agendamentos complexos de descida e elevação via travelift ou tratores.


> Preservação e Segurança Técnica: Sistemas hidráulicos, geradores, bombas de esgoto e equipamentos de bordo operam em condições ideais de atracação, reduzindo desgastes bruscos associados a constantes manobras de elevação.


> Proteção Financeira contra o Inflacionamento de Custos: Diante do déficit crônico de espelhos d´água em regiões litorâneas turísticas, garantir o direito de uso de longo prazo (leasehold, é o termo técnico internacional) protege o proprietário contra aumentos abusivos de aluguel e escassez repentina.


> Hub Social e Estilo de Vida: A embarcação atracada na vaga molhada funciona como uma extensão da residência, permitindo uso social mesmo quando ancorada, além de integração direta com complexos de gastronomia, varejo e serviços da marina.


Geração de Emprego e Renda: O Impacto Multiplicador


Cada embarcação mantida em vaga molhada opera como uma microempresa flutuante. A presença contínua do barco exige uma equipe multidisciplinar de profissionais para sua manutenção preventivo- corretiva, zeladoria, abastecimento e operação naval.


Estudos de Caso e Benchmarks Internacionais: Portugal e Algarve 


A Europa oferece dados consolidados sobre o impacto econômico da infraestrutura náutica. Estudos conduzidos em Portugal — com destaque para a região do Algarve (Marinas de Vilamoura, Lagos, Portimão e Albufeira) — demonstram com precisão a capacidade geradora de empregos da vaga molhada:


Indicador Econômico Náutico

Vaga Molhada 

Vaga Seca / Outros

Empregos Diretos e Indiretos

por Vaga


4,0 a 4,5 empregos / vaga

1,5 a 2,0 empregos / vaga


Gasto Médio Diário do Turista

Náutico


€ 220 a € 350 / dia 

€ 80 a € 120 / dia

Efeito Multiplicador na

Economia Local


1 € em marina gera 4,2  € na região


1 € gera 1,8 € 

na região

Perfil dos Empregos Gerados 

Alta qualificação (marinheiros,

mecânicos, eletrônica)


Serviços básicos de apoio e

movimentação


No Algarve, os dados setoriais comprovam que a infraestrutura náutica de alto padrão não atrai apenas navegantes, mas sustenta uma extensa rede de negócios em terra. Os gastos diretos dividem-se entre:


Serviços Técnicos e Manutenção (35%): Mecânica naval, estaleiros, pintura, carpintaria, eletrônica de navegação e velaria.


Tripulação e Zeladoria (25%): Salários de marinheiros, capitães, hostess e equipes de limpeza especializada.


Hospitalidade e Gastronomia (20%): Restaurantes, hotéis, comércio local e fornecedores de mantimentos e catering.


Taxas de Marina e Combustível (20%): Anuidades de atracação, energia elétrica, água, combustível e seguros.


O Déficit Estrutural no Brasil e o Caso de Florianópolis


Enquanto o mercado europeu consolidou suas marinas urbanas como motores econômicos, o Brasil enfrenta um cenário de acentuada escassez. Atualmente, estima-se um déficit superior a 55 mil vagas náuticas no país para uma frota registrada de cerca de 1 milhão de embarcações. O estado de Santa Catarina sobressai-se como o maior polo produtor da América Latina, sendo responsável por mais de 65% da produção nacional de barcos de esporte e lazer. 


No entanto, a infraestrutura de acostagem não acompanhou o ritmo da indústria naval: 


Frota Estadual: Cerca de 80 mil embarcações registradas no estado de Santa Catarina.


Ocupação Máxima: As garagens náuticas de Florianópolis operam com 90% a 100% de ocupação há mais de uma década.


Gargalo Operacional: Em polos náuticos vizinhos como Itajaí, a fila de espera para manutenção e atracação atinge até 3 meses nos períodos de alta temporada.


Zero Marinas Urbanas no Centro (de capitais): Apesar de ser uma ilha capital, Florianópolis historicamente carecia de uma marina de grande porte em seu centro urbano.


A (r)evolução na Beira Mar Norte em Florianópolis: Parque Urbano Marina Beiramar.


Para preencher essa lacuna estrutural no Sul do Brasil, o projeto do Parque Urbano Marina Beiramar surge como um marco de investimento privado e renovação urbana na orla da Beira-Mar Norte, em Florianópolis.


Destaques do Projeto Parque Urbano Marina Beiramar:


Investimento Total: R$ 350 milhões (100% capital privado)

Área de Concessão: 440 mil m² com 35 anos de prazo

Capacidade Náutica: 430+ vagas molhadas e 132 vagas secas privadas (além de marina pública de 50 vagas)

Aporte de Embarcações: Suporta iates de 30 a 110+ pés Infraestrutura Anexa: Shopping center com 110+ lojas, 30+ restaurantes, 550 vagas subterrâneas e previsão de mais de 2.000 empregos diretos e indiretos


Comparativo Financeiro e Atratividade do Investimento


A escassez de espaço marítimo urbano transforma o direito de uso de posições náuticas (*leasehold*) em um ativo financeiro de alta liquidez e forte apelo de valorização, comparável às grandes marinas internacionais:


Marina / Localização

Porte do Berço / Vaga

Valor de Referência / Anuidade

Port Vauban (Antibes, França) 

Berço 70m 

           95m

€ 2,8 mi (~R$ 17 mi) 

€ 4,5 mi (~R$ 28 mi)

Marina Genova Aeroporto

(Ligúria, Itália)

Berço 125m

€ 11,5 mi (~R$ 71 mi)



Porto Cervo 

(Sardenha, Itália)

Berço 40m 

€ 115 mil / ano (~R$ 700 mil) 


Port Hercule (Mônaco)

Diária GP de F1

€ 15 mil / noite (~R$ 90 mil / noite)


A próxima da lista acima, será Florianópolis, no MAR CATARINA, e é aí que apresentamos uma grande oportunidade de investimento. 


Por que Comprar Antecipadamente? A grande janela de oportunidade para a internacionalização do MAR CATARINA. 


Para investidores e navegadores, a aquisição na fase inicial de obras (como no lançamento da Marina Beiramar) oferece vantagens estratégicas expressivas:


Economia em Relação ao Aluguel: Estimativa de cerca de 1/3 de economia ao garantir o direito de uso por 10 anos em comparação com as diárias e mensalidades acumuladas de aluguel no mesmo período.


Contagem de Tempo Vantajosa: Os 10 anos de vigência do leasehold só iniciam a partir da entrega efetiva da posição náutica e operação do complexo, e não durante a fase de obras.


Proteção contra Reajustes e Inflação: Trava de custos em um mercado com oferta absolutamente rígida e demanda crescente em polo turístico valorizado.


Potencial de Revalidação / Sublocação: Ativos em marinas centrais apresentam alto valor de revenda ou cessão temporária para terceiros (charter / locação sazonal).


Assim a infraestrutura náutica como vetor de aceleração econômica do MAR CATARINA pois gera sustentabilidade social (mais emprego náuticos), conservação ambiental (conservação das orlas) e negócios náuticos (comércio e indústria), ou seja, é um vetor plenamente sustentável para o futuro de Santa Catarina. 


E em 2026, as 413 vagas molhadas Parque Urbano Marina Beiramar  consolidam-se como a peça central de uma economia do azul moderna. Ao conectar a demanda represada de proprietários com empreendimentos de uso misto, o setor náutico extrapola o lazer e se firma como um poderoso motor de geração de empregos qualificados, atração de divisas internacionais e valorização imobiliária sustentável.


Oportunidade de investimento internacional hoje no Mar Catarina! 


segunda-feira, 3 de agosto de 2026

ECONOMIA AZUL >>> Produtor de Água

 


O NOVO CHAMAMENTO DA ANA

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) reabriu o período de inscrições para que instituições públicas e privadas apresentem programas e projetos dedicados à conservação de água e solo no meio rural. O edital de chamamento público busca mapear, certificar e conferir visibilidade a experiências consolidadas na proteção de mananciais e recuperação ambiental.

Podem participar do processo seletivo órgãos públicos federais, estaduais e municipais, comitês de bacias hidrográficas, companhias de saneamento, bem como empresas privadas, associações de produtores e organizações da sociedade civil (ONGs) sem fins lucrativos.

🌿 VISIBILIDADE & PARCERIAS ESTRATÉGICAS

O reconhecimento concedido pela ANA não envolve o repasse direto de recursos financeiros. No entanto, os projetos chancelados passam a integrar o portfólio oficial do Programa Produtor de Água, garantindo a utilização do selo oficial, atração de investimentos e acesso prioritário a capacitações do SINGREH.


A LÓGICA DO PRODUTOR DE ÁGUA

Criado em 2005 e inspirado na experiência pioneira do projeto "Conservador das Águas" em Extrema (MG), o Programa Produtor de Água introduziu uma mudança de paradigma no Brasil: encarar o agricultor como um prestador de serviços ambientais.

Em vez de focar apenas no comando e controle, a metodologia incentiva o desenvolvimento de mecanismos de compensação — como o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) — para produtores que adotam práticas de conservação do  solo, restauração florestal de APPs e adequação de estradas rurais.

CRITÉRIOS TÉCNICOS OBRIGATÓRIOS

Para obter a aprovação e o selo institucional da ANA, as propostas submetidas devem atender rigorosamente a cinco diretrizes técnicas fundamentais estabelecidas pela autarquia:

Bacia Hidrográfica como Unidade: O projeto deve adotar a bacia hidrográfica como unidade territorial de planejamento e intervenção.

Diagnóstico Socioambiental: Existência de diagnóstico técnico detalhado sobre os problemas de degradação da água e do solo no território.

Atuação Rural e Voluntariado: Foco em propriedades rurais, baseado estritamente na adesão voluntária dos produtores locais.

Práticas Conservacionistas: Implementação efetiva de ações como terraceamento, cercamento de nascentes, reflorestamento e saneamento rural.

Resultados Comprovados: O projeto deve estar em fase de execução ativa, demonstrando resultados parciais ou consolidados.

"O reconhecimento da ANA consolida anos de dedicação de comunidades rurais na recuperação de nascentes, transformando a conservação em ativo socioeconômico."

— ESPECIALISTA EM RECURSOS HÍDRICOS


REQUISITOS COMPLEMENTARES

Além das exigências eliminatórias, as candidaturas devem cumprir ao menos três critérios adicionais, que incluem a estruturação de parcerias locais (Unidades de Gestão de Projeto - UGPs), mecanismos formais de PSA, ações contínuas de educação ambiental, e sistemas de monitoramento e transparência.

PROGRAMA MANGUE LEGAL 

BLOG DO MANGU 


ESTRUTURA DE GOVERNANÇA LOCAL

Uma das premissas centrais do Programa Produtor de Água é que a sustentabilidade hídrica não se alcança com ações isoladas. A metodologia da ANA exige a formação de Unidades de Gestão de Projeto (UGPs) — arranjos institucionais locais que reúnem prefeituras, sindicatos rurais, ONGs, comitês de bacia e empresas de saneamento.

Essa governança compartilhada garante a longevidade dos projetos, a mediação de conflitos sobre o uso da água e a justa distribuição dos incentivos financeiros aos produtores participantes.

DIRETRIZES DA RESOLUÇÃO ANA Nº 181/2024

A consolidação da política de reconhecimento ocorreu com a publicação da Resolução ANA nº 181/2024, complementada pela Resolução nº 180/2024. Esses normativos definiram parâmetros científicos e administrativos para o enquadramento de projetos em todo o território nacional.

📊 METAS ESTRATÉGICAS 2023–2026

A ANA estabeleceu metas para impulsionar o programa, incluindo a integração de pelo menos 30 projetos em andamento ao portfólio oficial, apoio à implantação de intervenções em mais de 2.000 hectares e a capacitação de centenas de gestores hídricos.


MONITORAMENTO E IMPACTO

Os projetos chancelados devem prever estratégias claras de monitoramento hidrológico. Trata-se de mensurar o efeito real das intervenções conservacionistas na redução da sedimentação, no aumento da vazão das nascentes nas épocas de seca e na melhoria da qualidade da água.

CRONOGRAMA DO TRÂMITE SELETIVO

Fase do Processo

Prazo / Detalhes

Submissão de Propostas

Até 21 de agosto

Resultado Preliminar

Até 60 dias pós-envio

Prazo de Recursos

10 dias após resultado

Análise dos Recursos

Até 30 dias pela ANA

Homologação Final

Publicação Oficial ANA


VANTAGENS DO ENQUADRAMENTO

Selo de Excelência: Uso da marca oficial do Programa Produtor de Água em materiais institucionais.

Rede de Cooperação: Participação em fóruns nacionais e internacionais promovidos pela ANA.

Formação Técnica: Preferência em trilhas de aprendizagem e cursos do SINGREH.

Atração de Recursos: Facilitação no acesso a fundos ambientais e financiamentos de fomento.







FONTE: BRASIL, Governo Federal. 2026, Agência ANA.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Smart Sea >> O olhar "estranho" Baia Tijucas e o Mar Catarina

 

Imagem: Disponível no www.instagram.com/praiadetijucas/


Em Busca da Vocação Marítima: 

O Potencial do Litoral Catarinense e os Desafios do Setor

A região que compreende os municípios de Governador Celso Ramos, Bombinhas e Tijucas carrega uma vocação náutica autêntica e altamente promissora. Essa percepção — moldada desde a infância, quando as paisagens recortadas por canais artificiais já remete a referências internacionais como a região de Empuriabrava, na Espanha — evidencia o potencial de Santa Catarina para o desenvolvimento de marinas estruturadas no modelo inshore (escavadas em áreas de baixada).

A experiência prática no setor demonstra que o mercado náutico é um poderoso motor econômico. Cidades como Paraty, no Rio de Janeiro, que hoje concentra o maior número de vagas molhadas do país, provam que a atividade gera empregos e atua como um sentinela ambiental, inibindo práticas predatórias. Santa Catarina possui esse ecossistema de forma natural, mas esbarra em um obstáculo crônico: a morosidade e a falta de clareza regulatória.



O Gargalo Burocrático e o Contraste Internacional

O desenvolvimento de projetos de infraestrutura náutica no estado enfrenta grande insegurança jurídica e lentidão nos processos de licenciamento, cenário que destoa sensivelmente de mercados maduros:

  • Marinas nos Estados Unidos: O processo para abertura de uma marina molhada consome cerca de três a quatro semanas, exigindo o cumprimento de apenas três procedimentos burocráticos focados nos impactos ambiental, econômico e social.

  • Cenário Nacional: No Brasil, os órgãos ambientais e as instâncias públicas carecem de diretrizes claras sobre o que é permitido, gerando um ambiente de incertezas que afasta grandes investidores internacionais.

Florianópolis e a Cultura das "Costas para o Mar"

Apesar de projetos recentes avançarem em municípios como Itapema, Porto Belo e Balneário Camboriú, o estado ainda "arranha a superfície" de seu real potencial. O principal exemplo desse distanciamento cultural e urbanístico em relação ao mar está na própria capital.

"Florianópolis é uma cidade cercada de mar por todos os lados que, literalmente, despreza esse mar e as atividades náuticas." Amyr Klink

O aterro da Baía Sul reflete essa contradição: o Centro de Eventos e sua arquibancada foram construídos de costas para a água. Urbanisticamente, teria sido mais funcional e inteligente prever o estaqueamento e a contenção da área para desenhar uma marina interior antes de executar o aterro. Hoje, a capital vive uma obsessão pelo transporte rodoviário, negligenciando as vias navegáveis.

O Obstáculo da Ponte Hercílio Luz e a Maricultura

As limitações físicas também restringem a integração náutica da cidade. A conexão entre as baías Norte e Sul é inviabilizada para embarcações de maior porte. Um veleiro de 45 pés (cerca de 14,5 metros), por exemplo, não consegue navegar de uma baía à outra devido ao vão da ponte histórica. Para acessar o sul da ilha, a embarcação é obrigada a dar a volta em mar aberto, em um trecho sem abrigos navegáveis.

Além das restrições de infraestrutura, as áreas abrigadas do litoral catarinense — que seriam ideais para o desenvolvimento náutico — hoje desempenham outra atividade consolidada: a maricultura. Impulsionada pelo trabalho da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a criação de ostras e mariscos ocupa esses espaços, tornando inviável a coexistência com instalações de marinas nesses locais específicos. O desafio do estado reside, portanto, em conciliar suas potencialidades e superar a burocracia para, finalmente, consolidar sua identidade marítima.





sexta-feira, 10 de julho de 2026

Amyr Klink - Navegar é necessário ...

 

Imagem: Acervo do navegador Amyr Klink disponível no Instagram Tem Alguém Me Assistindo (2026)  

Como o confinamento saudável a bordo inspira a mentalidade marítima? 

As viagens em família realizadas em embarcações que utilizam o vento como propulsão principal carregam um caráter profundamente educativo. Viver confinado em um ambiente inóspito exige adaptação: a bordo, as tripulações lidam com recursos finitos, onde a otimização do espaço impede o uso de eletrodomésticos supérfluos, como secadores de cabelo, ou o desperdício de água no banho. Diante de margens de erro mínimas, esse convívio estimula a capacidade de solucionar problemas de forma simples e de realizar mais com menos, fomentando uma sólida conexão com a natureza e o desenvolvimento da independência.

Essa filosofia reflete-se na gestão de frotas de barcos a vela, em que sobressai um respeito rigoroso no tratamento de efluentes, no controle do consumo e na aversão ao desperdício. Diferente de mares poluídos quimicamente — como ocorre em pontos do Mediterrâneo, onde as águas parecem translúcidas mas escondem contaminação —, a navegação consciente reforça o apego pela preservação ambiental e o combate à degradação dos rios e oceanos.

As Transformações nos Extremos do Planeta

A observação de ecossistemas como o da Antártica revela transformações climáticas perceptíveis. Embora os registros históricos humanos nessas regiões extremas sejam recentes frente aos ciclos milenares da Terra, indicadores associados à radiação ultravioleta e a eventos meteorológicos têm chamado a atenção de navegantes.

  • Radiação Ultravioleta: A exposição solar na Antártica, que antes permitia longos períodos de atividade sem intercorrências, hoje resulta em queimaduras graves em poucas horas.

  • Tempestades de Ventos Extremos: Relatos de navegação apontam para o aumento da frequência de ventos acima de 70 a 80 nós, com rajadas que atingem 100 nós, em regiões como o Canal de Beagle, a Terra do Fogo e a Patagônia.

Esses fenômenos servem como um alerta para a necessidade de reavaliar a relação humana com o clima global.

Infraestrutura e a 

Busca por uma Mentalidade Marítima no Brasil

O Brasil detém uma das maiores costas navegáveis do mundo, contudo, carece de uma mentalidade marítima consolidada. Em diversas regiões litorâneas, a preferência pelo transporte rodoviário em detrimento das vias aquáticas evidencia a subutilização desse potencial. Cidades catarinenses, amparadas por um histórico de convivência com o mar que remonta às antigas tradições baleeiras e caça marítima, reúnem condições para liderar uma transição cultural voltada ao desenvolvimento sustentável da economia azul.

A implementação do transporte público hidroviário em municípios contíguos a Florianópolis, como São José e Biguaçu, surge como uma alternativa viável e econômica ao modelo viário saturado. 

O incentivo à pequena cabotagem e a instalação de infraestruturas eficientes de atracação — inspiradas em modelos bem-sucedidos adotados na Europa, na Austrália e na Tasmânia — poderiam redefinir a mobilidade e o transporte de cargas no país.

Região / Contexto Histórico

Impacto na Mentalidade Marítima

Canal do Linguado (SC)

A ligação de São Francisco do Sul ao continente por meio de aterro interrompeu a dinâmica hídrica local.

Baixada Fluminense 

(RJ)

A substituição de sistemas multimodais eficientes (ferroviário e aquaviário) priorizou o transporte automotivo.

Baixada Santista (SP)

O isolamento de municípios de importância histórica e cultural ocorreu em função da expansão de rodovias como o Sistema Anchieta-Imigrantes.

Engenharia Naval e o Legado Científico do Paratii 2

Projetos voltados para barcos de exploração e trabalho demonstram como a tecnologia naval pode servir à ciência e ao turismo de expedição. 

Um exemplo dessa aplicação foi o desenvolvimento de embarcações de alumínio, concebidas em parceria com o engenheiro naval Thierry Stump. Projetado inicialmente para uso pessoal em um programa de explorações que se estendeu por duas décadas, o antigo Paratii 2 foi posteriormente adquirido pela fundação suíça Swiss Polar Foundation sob o nome de Forel.

Atualmente sediado na Bretanha, o navio permanece ativo como uma plataforma de pesquisa científica e educacional, demonstrando longevidade e inovação mesmo após 22 anos de operação. A transição desse tipo de projeto para o cinema — como no caso da produção sobre a jornada de 100 dias realizada pela Disney e sob a direção de Carlos Saldanha — contribui para aproximar o público da literatura náutica e das vivências em isolamento nos polos.

Para o futuro da gestão costeira, a recomendação central aos gestores públicos e urbanistas reside no estudo de casos internacionais de despoluição e revitalização de canais, a exemplo das iniciativas conduzidas em Londres, Seul e Paris, adaptando essas soluções às vocações naturais do litoral brasileiro.