Imagem: Disponível no www.instagram.com/praiadetijucas/
Em Busca da Vocação Marítima:
O Potencial do Litoral Catarinense e os Desafios do Setor
A região que compreende os municípios de Governador Celso Ramos, Bombinhas e Tijucas carrega uma vocação náutica autêntica e altamente promissora. Essa percepção — moldada desde a infância, quando as paisagens recortadas por canais artificiais já remete a referências internacionais como a região de Empuriabrava, na Espanha — evidencia o potencial de Santa Catarina para o desenvolvimento de marinas estruturadas no modelo inshore (escavadas em áreas de baixada).
A experiência prática no setor demonstra que o mercado náutico é um poderoso motor econômico. Cidades como Paraty, no Rio de Janeiro, que hoje concentra o maior número de vagas molhadas do país, provam que a atividade gera empregos e atua como um sentinela ambiental, inibindo práticas predatórias. Santa Catarina possui esse ecossistema de forma natural, mas esbarra em um obstáculo crônico: a morosidade e a falta de clareza regulatória.
O Gargalo Burocrático e o Contraste Internacional
O desenvolvimento de projetos de infraestrutura náutica no estado enfrenta grande insegurança jurídica e lentidão nos processos de licenciamento, cenário que destoa sensivelmente de mercados maduros:
Marinas nos Estados Unidos: O processo para abertura de uma marina molhada consome cerca de três a quatro semanas, exigindo o cumprimento de apenas três procedimentos burocráticos focados nos impactos ambiental, econômico e social.
Cenário Nacional: No Brasil, os órgãos ambientais e as instâncias públicas carecem de diretrizes claras sobre o que é permitido, gerando um ambiente de incertezas que afasta grandes investidores internacionais.
Florianópolis e a Cultura das "Costas para o Mar"
Apesar de projetos recentes avançarem em municípios como Itapema, Porto Belo e Balneário Camboriú, o estado ainda "arranha a superfície" de seu real potencial. O principal exemplo desse distanciamento cultural e urbanístico em relação ao mar está na própria capital.
"Florianópolis é uma cidade cercada de mar por todos os lados que, literalmente, despreza esse mar e as atividades náuticas." Amyr Klink
O aterro da Baía Sul reflete essa contradição: o Centro de Eventos e sua arquibancada foram construídos de costas para a água. Urbanisticamente, teria sido mais funcional e inteligente prever o estaqueamento e a contenção da área para desenhar uma marina interior antes de executar o aterro. Hoje, a capital vive uma obsessão pelo transporte rodoviário, negligenciando as vias navegáveis.







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